O pátio da escola, um lugar para educar

Durante as aulas, as crianças trabalham juntas e constroem relacionamentos de parceria e de cooperação sob o olhar de um educador. Oito horas, em média, passa uma criança na escola, das quais, três horas (43,7%) passam no pátio, se contarmos também com o intervalo depois do almoço. No entanto, em momentos de recreação no pátio da escola é quando os problemas de convivência surgem na escola.

Problemas no pátio da escola

1. Abusos de poder. Podem acontecer situações de abuso de poder entre crianças maiores e menores ou entre meninas e meninos ou, ainda, entre alunos mais agressivos e outros mais tranquilos.

2. Agressões, insultos e ameaças. Alguns usam o pátio da escola como um ambiente para resolver suas diferenças através da agressão física, insultos ou ameaças.

3. Má distribuição do espaço. Os jogos de equipe (vôlei ou futebol) normalmente ocupam uma área extensa do pátio, deixando pouco espaço para outros estudantes que têm outros interesses ou atividades menos movidas.

Além disso,

– Nota-se que se perdeu a aprendizagem geracional dos jogos populares ou de rua.

– Percebe-se um aumento de situações de crianças fragilizadas por conflitos familiares.

– Muitas situações são intensificadas pela falta de condutas de educação básica, como pedir por favor ou pedir desculpas.

Em muitas escolas também é preciso usar a aula após o recreio para tratar dos conflitos gerados durante esse tempo.

Portanto, o pátio da escola deve ser também um lugar onde se promova uma série de aprendizagens relacionadas com o desenvolvimento pessoal e social dos alunos. Aprendizagens que irão influenciar diretamente no tipo de relações entre os alunos e na capacidade integração em um grupo.

No pátio da escola, interações entre pares são mais fortes por não se estar na frente de um professor. Portanto, embora não se possa controlar, é preciso educar, para permitir o desenvolvimento pessoal de cada aluno e sua adequada integração, evitando, assim, situações de bullying ou rejeição. A falta de uma intervenção intencional da equipe de educadores, na prática, é substituída por situações de abuso de poder, relações de exclusão ou de um mau sentido de independência por parte dos alunos.

Como converter o pátio da escola em um lugar educativo

1. Trabalho nas preceptorias 1 . Trabalhar com os alunos questões de assertividade, de atitudes de respeito e cooperação, de solidariedade, de não discriminação com base no sexo, etc.

2. Resolução de Conflitos. Observar os alunos que têm problemas de integração ou são, de alguma forma, hostilizados e contar com a ajuda da orientação educacional para aqueles que precisam melhorar sua competência social.

3. Mediação. O conflito pode ser uma oportunidade para a melhoria pessoal e coletiva, quando resolvidos através do diálogo, negociação e mediação. É um passo necessário, muito significativo, para aprender a cultura da paz.

Meios para conseguir que o pátio seja um espaço educativo

1. Formação. Consiste em momentos de reflexão de grupo, leitura e comentários de textos ou palestras de especialistas.

2. Tutoria grupal. Espaço propício para atuar na mediação de conflitos, de forma positiva.

3. Aspectos organizacionais. São baseados na organização, no tempo do recreio, de jogos participativos e colaborativos dirigidos por monitores. As crianças podem desfrutar de momentos de lazer e conhecer uma variedade de jogos e brincadeiras.

Em geral, os professores sabem que a escola é o lugar ideal para desenvolver as habilidades sociais-emocionais, tais como assertividade e empatia, e ensinar valores morais, o desafio é propor-se a isso de forma organizada e intencional em todos os momentos e espaços da escola.

Marisol Nuevo Espín
Fonte: http://www.hacerfamilia.com/educacion/colegio-patio- colegio-recreo- bullying-valores-20170314115114.html


1 As preceptorias são conversas periódicas que um professor determinado mantém com o aluno. O professor apoia o aluno no seu desenvolvimento acadêmico e, a partir da atividade estudantil, também o ajuda no seu autoconhecimento e no desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Através desse atendimento educativo individualizado ajuda-se o aluno em sua progressiva realização pessoal.