Educação singular: a visão de uma psicóloga norte americana

Blythe Grossberg, Psy. D., é uma famosa psicóloga de Nova York. Trabalha com estudantes, pais e gestores de escolas particulares em todos os EUA. Dra. Grossberg é formada com magna cum laude em História e Literatura no Harvard College e doutorada em psicologia pela Rutgers University. É autora de inúmeros livros e artigos científicos em educação e psicologia.

Ela já trabalhou com alunos com dislexia e transtornos de leitura, distúrbios de matemática, problemas de processamento da linguagem, TDAH, problemas de função executiva, e Síndrome de Asperger, entre outras questões. Ela ajuda os alunos a desenvolverem estratégias para melhorar sua aprendizagem, maximizar seu potencial na escola, praticar hábitos de estudo eficazes, escrever de forma clara e melhorar seu desempenho em testes padronizados.

Comentários Solar:

Apresentamos alguns argumentos levantados pela Dra Grossberg que vão ao encontro das considerações do nosso último boletim. Dois destaques que foram levantados pelo Prof. Luiz Marins em recente palestra onde apresentou esses argumentos ora publicados: foco no estudo e autoconfiança dos alunos e alunas nas escolas singulares.

 

QUATRO VANTAGENS DE ESCOLAS SINGULARES (SINGLE-SEX)

Por Blythe Grossberg

Muitas pesquisas têm mostrado que as escolas singulares têm muitas vantagens. Por exemplo, em geral, as meninas e meninos que são educados em escolas singulares têm mais autoconfiança. Além disso, eles têm ganhos acadêmicos superiores aos de seus pares em escolas mistas (co-ed). Eles também aprendem a gravitar em torno de áreas não tradicionais que nem sempre são aceitas para o seu sexo. Por exemplo, os meninos aprendem a gostar de literatura, enquanto as meninas se sentem mais confortáveis com matemática e ciências em escolas singulares.

Embora seja difícil generalizar sobre todas as escolas do mesmo sexo, aqui estão alguns pontos comuns que tendem a caracterizar muitas escolas do mesmo sexo:

 

  1. Um ambiente mais descontraído

Embora muitas escolas singulares estejam no topo de seu ranking academicamente, elas têm, geralmente, um ambiente mais descontraído. Este ambiente descontraído é criado, em parte, porque os meninos e meninas não precisam se preocupar de “impressionar” o sexo oposto. Os alunos podem ser eles mesmos em sala de aula, e eles podem falar aberta e honestamente sobre os assuntos. Ao mesmo tempo, os alunos das escolas singulares são muitas vezes mais dispostos a assumir riscos, porque eles não temem cair no ridículo na frente do outro sexo. Como resultado, as salas de aula dessas escolas são mais dinâmicas, livres e repletas de ideias e trocas de experiência – características de uma boa educação. Enquanto os professores nas escolas mistas, por vezes, têm que implorar a seus alunos para contribuir para a discussão em classe, isso não acontece em escolas do mesmo sexo, na maior parte do tempo.

 

  1. Menos “Panelinhas” ou grupos fechados de influência

As pesquisas mostram que as escolas do mesmo sexo podem ajudar a reduzir as famosas “panelinhas” ou grupos fechados, especialmente em escolas de meninas. As meninas, de novo, não têm que se preocupar em impressionar os meninos ou parecerem populares, preocupações comuns no ensino fundamental e médio. Em vez disso podem se concentrar em seus estudos e estar abertas para fazer amizade com as outras meninas, resultando em menos grupos fechados entre elas.

Embora o estereótipo sobre escolas dos meninos é que elas são violentas e que alguns meninos são discriminados, a realidade é muitas vezes bem diferente.  Meninos em um ambiente em que todos são meninos não formam panelinhas, porque eles não têm que parecer “machões” para as meninas, e muitas vezes, são mais generosos com os seus pares, como resultado. Nas escolas de meninos há espaço para todos os tipos de meninos, e os menos socialmente maduros não são punidos por seus colegas.

 

  1. Um currículo mais adaptado

O ensino em uma escola de um único sexo pode ser adaptado para todas as meninas ou todos os meninos, e a capacidade de adaptar o currículo permite aos professores criar classes que têm o potencial para realmente desenvolver os alunos. Por exemplo, nas escolas dos meninos, os professores podem buscar livros que interessem mais e falem de meninos e suas preocupações. Por exemplo, uma discussão em classe de Hamlet em uma escola para meninos pode envolver um estudo das características da adolescência e das relações pai-filho entre meninos. Em uma escola para meninas, as alunas podem ler livros com heroínas, como Jane Eyre ou estudar livros que mostrem como a vida das mulheres são afetadas pelas atitudes da sociedade em relação a elas. Enquanto essas discussões sejam possíveis nas escolas mistas, elas podem ser mais abertas e aprofundadas em uma escola de um único sexo.

 

  1. A ausência de estereótipos de gênero

Além disso, os estudantes das escolas do mesmo sexo podem gravitar, sem constrangimento, para assuntos não tradicionais. Nas escolas de meninos, os autores do sexo masculino podem entrar para falar sobre sua obra, e os alunos podem fazer perguntas sem sentir vergonha ou constrangimento por estarem interessados. Isso nem sempre acontece nas escolas mistas. Em uma escola para meninas, mulheres cientistas podem oferecer a sua experiência, e as meninas podem ter interesse, sem temer que elas pareçam idiotas ou pouco femininas, etc. Os exemplos de como as escolas do mesmo sexo libertam os estudantes de estereótipos de gênero são infinitas. Além disso, os professores na escola mesmo sexo podem usar métodos que possam interessar seus alunos. Por exemplo, em uma escola dos meninos, eles podem usar técnicas pedagógicas que utilizem mais a energia e a força própria dos meninos, enquanto que em uma escola para meninas, os professores podem oferecer o tipo de feedback que as meninas são mais propensas a aceitar. Embora cada criança seja diferente e não há uma escola que seja certa para todas as crianças, não há dúvida de que as escolas do mesmo sexo oferecem uma grande quantidade de vantagens e uma atmosfera especial que incentivam as crianças a se sentir mais confortáveis e confiantes para aprender.