Educador defende educação singular

Educador defende separação por sexo

Luiz Marins, antropólogo e historiador

 

Publicado no Jornal Gazeta do Povo, em 20/10/2013 | ADRIANA CZELUSNIAK

Autor de 27 livros motivacionais, o professor Luiz Marins é um entusiasta da separação de meninos e meninas em sala de aula. Segundo ele, a educação diferenciada por sexo é, na atualidade, uma das formas mais eficazes de ensino em meio ao turbilhão de novidades tecnológicas e comportamentais que surgem a todo instante. “É a que mais respeita a individualidade e o ritmo de aprendizagem de meninos e meninas, que são diferentes.”

Marins esteve em Curitiba no último dia 8 para dar uma palestra na Escola do Bosque/Mananciais sobre o tema “Educo meu filho para os desafios da sociedade?” Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida à Gazeta do Povo.

Como os pais podem saber se a educação do filho está no caminho certo para a sociedade do futuro?

O mundo mudou muito e também a juventude. A previsão é de que o último DVD seja vendido em 2015 e, em poucos anos, quem tiver menos de 30 anos não vai saber o que era o DVD. A mudança tecnológica é muito acelerada. Os próximos cinco anos mudarão mais que os últimos 30 mudaram em termos de ciência e tecnologia. Os nativos digitais, que já nasceram com mouse na mão, têm diferente a estrutura cerebral. Eles passaram por outras experiências na infância e precisam ser mais respeitados individualmente para terem formação mais sólida e enfrentarem esses desafios de mudança. E como eu educo meu filho para um futuro que não sabemos especificamente o que será? Os melhores cursos superiores de 2012 não existiam em 2004. O que diferencia lá na frente vencedores e perdedores do ponto de vista da antropologia é o domínio da vontade e ter foco. Ser uma pessoa simples para que tenha autoestima elevada. Só pessoas de autoestima elevada podem ser simples e só os simples podem ser velozes.

De que forma os pais podem trabalhar com os filhos nesse sentido?

O que não pode haver é uma esquizofrenia na cabeça da criança – a escola fala uma coisa e em casa é outra. Pais têm de participar da vida escolar, não é só a mãe, pai também tem de ir. Para que haja harmonia e para que eles digam à escola que não concordam com isso ou com aquilo. As boas escolas levam os pais a assumirem o papel de educador em primeiro lugar. Eu não posso acreditar que um pai que é formado em Engenharia ou uma mãe que é contadora e nunca estudou educação entendam de educação. Então a escola ajuda, ensina os pais a serem educadores. Os pais devem pensar no assunto, avaliar como estão respondendo a essa responsabilidade de formar uma pessoa.

O que é importante na educação pensando em um preparo para o futuro em um mundo com tantas mudanças?

A gente não sabe o que os jovens vão ser quando forem adultos ou ainda que profissões vão existir. Então a escola vai educar a criança em habilidades básicas e valores básicos para que, haja a tecnologia que houver, ela consiga enfrentar com um alicerce de tal maneira que será possível construir o que for em cima. São valores que a gente chama de permanentes e não transitórios. Como a honestidade, a verdade, a lealdade, como trabalhar em times, como aprender a não ter ansiedade com relação a não saber uma coisa, como ir atrás do conhecimento. Ninguém chega ao pódio sozinho. Então a criança também tem de aprender a não ser arrogante e a não perder a vontade de aprender sempre. A educação diferenciada por sexo hoje, pelos estudos, é uma das formas de enfrentar melhor esse mundo de mudança.

Como a separação de meninos e meninas na escola contribui para a educação do futuro?

Pode ser que haja indivíduos que não se adaptem à educação diferenciada por sexo e não é que a educação mista não presta. A educação diferenciada por sexo é a que mais respeita a individualidade e o ritmo de aprendizagem de meninos e meninas, que são diferentes. Você sabe disso melhor do que eu. Aos 12 anos, ela está quase mocinha e o menino é um bobalhão. Tem um estudo americano profundo que mostra que, em aulas de computação, meninos fazem bullying, chamando as meninas de burras, como se computação e tecnologia da informação fosse uma área mais masculina. As meninas ficam retraídas com isso. Mesmo a liberdade em aulas de educação sexual é outra, quando está só menina e só menino é mais fácil. Mas os pais têm de ter o direito de escolha, se optam pela escola mista, não há problema. O que não pode é ser criado um patrulhamento ideológico discriminatório.

Em sua opinião a educação diferenciada por sexo é vantajosa em todas as idades?

Para qualquer idade. Nos Estados Unidos estão pensando em universidades diferenciadas, mas com certeza na adolescência e na segunda infância, dos 8 aos 16 anos, a educação diferenciada favorece muito mais o foco da criança e o aprendizado. Há preconceito no Brasil, porque acha que a vida não é assim, mas nos esportes, nas olimpíadas, maratonas, há diferenciação por sexo. Não é a ideia de segregar, mas de oportunizar que o aprendizado ocorra de forma mais tranquila. De 20 estudantes com melhores resultados na Europa, 15 vêm de escolas diferenciadas porque, em sala, eles não têm outra preocupação, só aprender. Nessas escolas também cada aluno tem um mentor, um preceptor que o acompanha individualmente de 15 em 15 dias e que faz reunião com alunos e pais. Pela preceptoria, os pais são obrigados a participar da educação do filho e os problemas podem ser erradicados rapidamente quando há alguma deficiência.